Obra de 725 km garante segurança energética, equilíbrio tarifário e reforça transição energética no Brasil

Na 310ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada nesta quarta-feira (10/09), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o início da energização da Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista, que marca a interligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O feito coloca, pela primeira vez, 100% do território nacional conectado ao sistema elétrico integrado.
Segundo Silveira, a conclusão do empreendimento representa um “dia festivo” para o setor elétrico brasileiro, ao assegurar mais segurança energética, equilíbrio tarifário e bases sólidas para a transição energética.
A nova linha de transmissão tem 725 quilômetros de extensão em circuito duplo de 500 kV, ligando Roraima ao SIN e garantindo maior qualidade e continuidade no fornecimento de energia ao estado, até então o único isolado do sistema.
Impacto econômico e ambiental
A interligação deve gerar redução de R$ 540 milhões por ano na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), o equivalente a cerca de R$ 45 milhões por mês, devido à menor utilização de termelétricas.
Além do alívio tarifário para os consumidores de todo o país, a iniciativa também contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao reduzir a queima de combustíveis fósseis na região.
Condições do SIN e planejamento energético
Durante a reunião, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que os reservatórios das hidrelétricas evoluíram dentro da normalidade durante o período seco, deixando o SIN em situação melhor que a de 2024.
Estudos de projeção até fevereiro de 2026 confirmam o pleno atendimento de energia, ainda que, em cenários críticos de alta demanda e baixa geração eólica ou hídrica, haja necessidade de geração térmica adicional.
Para reforçar a segurança, também poderão ser adotadas medidas como:
- maior aproveitamento das hidrelétricas de Itaipu e do rio São Francisco;
- ajustes operacionais nas UHEs de Jupiá e Porto Primavera, visando preservar os reservatórios da bacia do Paraná, fundamentais para o atendimento energético nacional.
*Informações técnicas:
Condições hidrometeorológicas: em agosto, a precipitação ficou restrita à região Sul, com destaque para as bacias dos rios Uruguai e Iguaçu que apresentaram totais superiores à média mensal. Nas demais bacias hidrográficas do SIN a precipitação foi inferior à média. Em relação à Energia Natural Afluente (ENA), no decorrer de agosto, foram verificados valores abaixo da média histórica nos subsistemas do SIN, exceto no Sul. Considerando a ENA agregada do Sistema Interligado Nacional (SIN), foi verificado valor de 77% da Média de Longo Termo (MLT). Para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, foram verificados 71%, 104%, 44% e 69% da MLT, respectivamente.
Já em setembro, no cenário mais positivo, as previsões de ENA são 63%, 91%, 42% e 64% da MLT, para o Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte. Para o SIN, os resultados apontam para condições de afluência de 70% da MLT, sendo o 16º menor patamar para um histórico de 95 anos.
Ainda em setembro, de acordo com o cenário menos favorável, a indicação é de uma ENA abaixo da média histórica para todos os subsistemas. A previsão para o Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte é de 59%, 66%, 42% e 59% da MLT, respectivamente. Para o SIN, o estudo aponta condições de afluência prevista de 60% da MLT, sendo o 5° menor valor para o mês de um histórico de 95 anos.
Energia armazenada: ao final de agosto, foram verificados armazenamentos equivalentes de 58%, 90%, 60% e 88% nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. No SIN, o armazenamento foi de aproximadamente 62%.
Para o último dia de setembro, conforme estudos prospectivos apresentados, a expectativa é de 50%, 81%, 53% e 81% da Energia Armazenada máxima (EARmáx), considerando o cenário superior nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. No cenário inferior, há a previsão de 49%, 83%, 53% e 81% da EARmáx, considerando a mesma ordem. Para o SIN, a previsão varia entre 54% e 55% da EARmáx.
Expansão da geração e transmissão: a expansão verificada em agosto de 2025 foi de aproximadamente 310 megawatts (MW) de capacidade instalada de geração centralizada de energia elétrica, de 833 km de linhas de transmissão e de 650 MVA de capacidade de transformação. Assim, no ano de 2025, até agosto, a expansão totalizou 4.521 MW de capacidade instalada de geração centralizada, 2.195 km de linhas de transmissão e 6.237 MVA de capacidade de transformação. Foi destacado que no dia 3 de setembro de 2025 entrou em operação comercial a usina hidrelétrica – UHE Juruena, com 50 MW de capacidade, localizada no município de Campos de Júlio, no estado do Mato Grosso.
O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País, adotando as medidas para a garantia do suprimento de energia elétrica. As definições finais sobre a reunião do CMSE desta quarta-feira (10/09), bem como as demais deliberações do Colegiado, serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes do colegiado e divulgada conforme o regimento.
*Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
